Bom Dia São Paulo, Reveillon, terapia holística e o índice das calcinhas

Nas festas de fim ano há poucas notícias. É difícil preencher qualquer espaço noticioso quando não rola um Tsunami.

Na semana anterior ao Natal, abundam reportagens sobre superação das mais diversas dificuldades através da fé, muitas vezes acompanhadas de imagens de distribuição paternalista de brinquedos e cestas básicas para os pobres.

Nos dias que antecedem o Reveillon, há sempre reportagens sobre os atletas profissionais e anônimos que vão participar da São Silvestre, a preparação das comemorações em várias cidades e previsões místicas dos mais diversos oráculos.

Seguindo a rotina da pauta de final de ano, no Bom Dia São Paulo de hj, o jornalista Chico Pinheiro entrevistou a "terapeuta holística", Fatyma Moraes.

Como nunca tinha ouvido falar nesta especialista reconhecida pelo departamento de jornalismo como dedtentora de um notório saber sobre as coisas do além, fui fazer uma busca no Google.

Fátyma com "Y" aparentemente é destaque do Esppaço Alpha. O Esppaço com dois "P"s, de acordo com o blog alphamistico.blogspot.com fica em Osasco (SP) e é

Pioneiro na divulgação de terapias alternativas, trabalha com profissionais de várias áreas do conhecimento holístico tais como: massagem terapêutica, yoga, feng shui, bioenergética entre outras. O Alpha possui uma programação bastante diversificada, promovendo semanalmente palestras e vivências, além de cursos e workshops voltados para auto-ajuda com preços bastante atrativos.

O "entre outras", aparentemente, são:

Tarô, Astrologia, Numerologia, Magia Wicca, Yoga, Reiki, Dança do Ventre, Cafeomancia, Rituais, Festas Temáticas e muita Energia Positiva".

Sinto falta na lista nas ofertas do Esppaço com dois "P"s coisas de origem afro-brasileira... Aparentemente, búzios e galinhas pretas não estão em alta no mercado da fé holística.

Pode ser uma manifestação do preconceito racial brasileiro ou talvez não seja mais politicamente correto explorar de maneira superficial as tradições ancestrais afro-brasileiras

De qq modo, na entrevista Fátyma com "Y" comentou as mais diversas simpatias para arrumar marido, ganhar dinheiro e espantar maus olhares em geral e apresentou novidades espirituais como uma maçã com cravos (o amigo da canela da Gabriela) espetados que aparentemente tb mereceu destaque no "Domingo Legal" do SBT.

Uma das reportagens sobre as superstições de final de ano tentou buscar de volta a atenção do público cético. O tema era o aumento de venda de calcinhas devido a tradição de usar roupas de baixo novas na passagem de ano.

O repórter chegou a dizer que as vendas lingerie de determinadas cores poderiam representar os desejos das brasileiras para o próximo ano. De acordo com a reportagem, amarelo lidera as vendas neste ano, supostamente refletindo ambições materiais das brasileiras para 2006.

Este índice das calcinhas até pode ser relevante... Infelizmente, faltou dizer as cores mais populares no passado. Então não deu para saber se as brasileiras sempre deram prioridade ao dinheiro, demonstrando níveis satisfatórios de amor e paz, ou se a ambição material é uma característica específica do ano do mensalão.

Nada contra o jornalismo popular. A Globo depende de audiência e patrocinadores.

Entretanto, apesar da vergonhosa diferença social no Brasil, não acho que entrevistar a terapeuta holística de Osasco para divulgar os poderes mágicos de uma maçã espetada com cravos seja mais atraente para o público que algum professor doutor explicando as origens das simpatias e crenças.

IMHO, popularidade é uma questão de forma e linguagem e não de conteúdo. Tá na hora do Brasil deixar de ser um país dependente de esperança e fé vendidas nas mais variadas formas.

O país do futuro precisa fazer um esforço para superar o teocentrismo barroco que até hj limita o desenvolvimento do espírito crítico tupiniquim.

Vamos permanecer deitados eternamente aguardando a graça divina ou vamos aprender a ter fé na ciência?

Os cidadãos deste berço esplêndido continuarão repetindo o "sim, senhor" de sempre ou será q vamos aprender a perguntar "Por quê?"

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