Como eu desisiti de ter carro e ando sempre com uma câmera digital, acabei virando um "colecionador" de grafittis e pichações da cidade de São Paulo.
Já juntei mais de 450 fotos dos muros que passo Tão aqui: http://fotos.br101.org/gallery/graffiti-pichacao/
Acho graffiti interessante pq é um tipo de arte efêmera, mas não dá para saber o quanto. Tem uns desenhos bacanas que não sobrevivem meses. Outros passam anos sem serem substituídos.
BTW, alguém sabe se alguém já pesquisou quais são fatores relevantes para a maior permanência?
Será que existe algo Darwiniano do tipo "o desenho é mais bacana, ou o autor é mais respeitado, outros graffiteiros (ou donos dos muros) tem mais pudor na relocação do espaço".? Meio viagem... muitos fartores, mas talvez dê apra aprender algo....
De qq modo, é mais fácil de entender a motivação do grafittis do que das pichações atuais.
Não entendo essa coisa dos "garranchos" rabiscados por toda a cidade.
Se o rapaz da periferia tá revoltado com a sociedade que o cerca pq se limitam a rabiscar o próprio nome/grupo, normalmente de um jeito que é difícil de ler?
Me disseram que os "garranchos" servem para marcar territórios... Mas pq a rebeldia está limitada a uma primitiva prova de coragem que, aparentemente, só tem o objetivo de alimentar o próprio ego?
Lembro que na minha infância, além de coisas egocêntricas sem sentido como "Juneca e Pessoinha" e spam como "Cão Fila km 26", eram comuns manifestações políticas como "Abaixo a ditadura", bicho-grilistas/psicodélicas como "É ter na mente...Éter na mente... Eternamente.. " e engraçadas como "Quero morrer nos braços de uma mulher peituda".
Existia a vontade de transmitir uma idéia, fazer rir, ou sei lá... mudar algo... De qq modo parecia mais criativo do que o que existe hj...
Os "garranchos" são uma rebeldia sem causa ou eu que não percebo alguma coisa? Pq não aproveitam para dizer algo?
Não seria muito mais llegal escrever algo que incomode o poder estabelecido do que simplesmente sujar a cidade para alimentar o ego?

Vox Populi
concordo
Sim, eh esse Antropólogo que desenvolveu esse ensaio, pena só estar disponível dele a temática indígena na UFPE. Mas eu tenho esse ensaio numa versão impressa e posso te enviar uma cópia. Se desejar mesmo envia um endereço para eu te mandar, podes mandar para pallomabra@yahoo.com.br
Foi bom vc levantar um diálogo sobre isso, porque a pichação é mesmo um absurdo, nem a ciência consegue fazer relação sobre isso.
Carpe Diem!
Olá China
Há uma Dissertação de Mestrado na UFPE chamada "Ensaios sobre jovens Urbanos" (se eu não me engano), podes procurar pelo nome do autor: Marcos Homero Ferreira Lima, que retrata os pinchadores de Recife muito bem. O Marcos faz uma ligação entre fatores sociais sim, mas eu tenho uma opnião divergente sobre esse assunto. Concordo que a pichação por si só é um ato de baderna, mas quando existe um movimento benéfico por trás desse ato pode até ser válido, desde que não interfira em patrimonios particulares. A pichação apenas para ser "considerado" é um meio até esdrúxulo de tentar ser importante na História! sem dúvidas os pichadores do Brasil não são de forma alguma artistas rumpestres ou escritores que queiram deixar algum registro histórico para as outras gerações, pois como você mesmo enfatizou, essa tinta não dura centenas de anos. Alguns registros de pinchadores apenas sugere a ação da violência e isso já está grifado para a história do Brasil pelos nossos cientistas e jornalistas.
(Mestranda em Antropologia pela UFPE)
Não achei
Não achei o ensaio... encontrei referências a um antropologo "Marcos Homero Ferreira Lima" mas com declarações relacionadas à questão indígena.
Ele é da ufpe tb?
Sobre a pichação, entendo que pichação é diferente de grafitti.
Pichação, por definição, não tem a aprovação doproprietário do muro.
Ou seja, pichação sempre é uma forma de agressão. O que eu não entendo é o desperdício de "revolta".
Já que vc vai se arriscar para marcar território, ou provar a ousadia do seu grupo, pq não aproveitar para passar uma mensagem tb?
Um desperdício de vontade de mudar que não ajuda nenhum processo de mudança...
Assinar um nome não muda nada. Só incomoda o dono do muro... normalmente um sujeito que não tem poder... prá que irritar gente inocente sem motivo.
Cogito ergo doleo
[]s
China
Esqueci de dizer tb...
Existe uma relação de poder entre os pinchadores como vc se perguntou. O que melhor rabiscar seu nome em lugares mais "difíceis" são os mais considerados. Aqui em Recife o pinchador Tiné, que morreu se eu não me engano com um pouco mais de 20 anos, era o mais considerados porque o seu nome estava estampados em lugares como o alto de um prédio. No Rio, alguém pinchou o cristo numa época, esse sim deve ter se tornado o grande mestre de todos.
Carpe Diem!
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