Pesquisadora de blogs Denise Schittine, autora do livro "Blog: Comunicação e Escrita Íntima da Internet"

Liga matéria q saiu milianos na Revista Isto é Gente:

“Blogueiros são corajosos” 06/09/2004 - Marina Monzillo

Os blogs trouxeram de volta a prática da escrita íntima assim como o e-mail é responsável pelo retorno da troca de correspondência. Fenômeno online dos mais populares, pela primeira vez os diários virtuais viraram alvo de estudo no Brasil, que resultou no livro Blog: Comunicação e Escrita Íntima da Internet (Civilização Brasileira, 240 págs.), da jornalista Denise Schittine.

“Tudo começou em 2000, quando trabalhei um texto que falava da questão da memória com o advento da internet”, explica a autora. Em sua pesquisa, Denise afirma que o computador é “um brinquedinho de arquivista”, pois guarda textos, possui arquivos e pastas. “A memória já é preguiçosa, não guarda nem aquilo que a gente quer. Com o computador armazenando tudo, ela fica ainda mais efêmera”, diz. Portanto, um diário na web é a maneira de criar uma memória pessoal, porém pública. “Essa é a tendência atual, a invasão do espaço privado, com os reality shows, webcams.”

Segundo a escritora, a popularidade dos blogs confirma que o desejo íntimo de todo escritor é ser lido. “A grande procura do homem no Ocidente é a do Outro, da aprovação do Outro. E os blogueiros são os corajosos, autores que decidiram botar a cara a tapa, ficar sujeito a opiniões.”

Em sua pesquisa de campo, Denise entrevistou vários blogueiros e concluiu que eles vão numa via de mão dupla: “Existe uma tendência ao colunismo, o sonho de quem faz um blog é formar opinião, ser um pouco jornalista. Ao mesmo tempo, muitos jornalistas possuem blogs para fugir da linguagem de jornal”.

Ela afirma que o gênero literário criado nos blogs se situa entre a escrita íntima e a pública, entre a ficção e o jornalismo. E o perfil do blogueiro é variado: “Acham que diário é coisa de adolescente, não é. Grandes escritores tiveram diários e tem muito adulto de 45 anos que faz blog”.

Liga q o tiozinho Julio Daio Borges do site Digestivo Cultural tb fez copy paste de matéria sobre o livro no jornal O Globo. Vai vendo:

"Dos diários íntimos aos blogs", copyright O Globo, 13/10/2004

Blog: Comunicação e Escrita Íntima da Internet, de Denise Schittine. Civilização Brasileira, 240 páginas. R$ 29,90

Já é quase velha, no Brasil, a discussão em torno da validade dos blogs como jornalismo ou como literatura. Em termos de blogueiros, há os que se pretendem a quase tudo. E há, em contrapartida, os que enxergam os blogs como um gênero à parte, ponto. Nesse contexto, Denise Schittine, em seu livro ‘Blog: Comunicação e escrita íntima na internet’, consegue soar como novidade, embora tome como pressuposto uma hipótese antiga, quase abandonada: os blogs surgem dos diários íntimos, e ponto final.

O volume de pouco mais de 200 páginas é a adaptação de uma dissertação de mestrado que a autora desenvolveu na UFRJ sob a orientação de Heloisa Buarque de Hollanda. Mas que ninguém se assuste com a origem acadêmica do estudo, pois, ainda que baseado em rica bibliografia sobre os seculares diários íntimos, o livro se apóia também em extensa pesquisa de campo, com depoimentos de blogueiros brasileiros hoje célebres como Sergio Faria e Paulo Bicarato.

O ineditismo de Denise está em cruzar algumas correntes, como a do individualismo e a do voyeurismo, em nossa época, extrapolando suas conseqüências para a internet. Segundo ela, o blog remonta à evolução da família burguesa, que inventou o corredor, os quartos, a sala de visitas, e que consagrou a individualidade crescente, do walkman ao computador - uma máquina que pode ser usada por uma pessoa de cada vez, e só. Ao mesmo tempo, o desejo de sociabilidade, inerente ao ser humano, trataria de empurrá-lo para a interação, para a internet... e para os blogs.

Assim, os diários íntimos virtuais, apesar de aparentemente revelar momentos de puro egocentrismo, esconderiam, na verdade, um desejo profundo de aceitação, de sociabilização e de interatividade. Num tempo em que a vida profissional vai consumindo grandes porções da existência privada, as pessoas encontrariam ‘janelas’ através da comunicação eletrônica, onde pudessem respirar por alguns minutos, entre amigos próximos e ilustres desconhecidos, seja por meio de ‘mensageiros’, de e-mails e de weblogs.

Prazer em acompanhar a escrita pela internet

Já o voyeurismo entraria na história graças à presente demanda por informações sobre a vida alheia. Os leitores de blog, por mais adultos que se revelassem, no fundo esconderiam um prazer, muito simples, em acompanhar aquele diário que se desdobra progressivamente, a olhos vistos, no oceano da internet. Portanto, os blogueiros, por mais que se pretendessem a jornalistas e a literatos, não estariam mais que alimentando, de acordo com Denise, a vida daquele personagem inventado ou terrivelmente real, que mobiliza uma pequena platéia - permanentemente dividido entre esta e as suas ambições, como escritor, como autor, como blogger.

O raciocínio se completaria, então, com o conceito de ‘memória virtual’. Se o diarista clássico partiria da intenção de não deixar os seus dias passarem sem registro, o blogueiro moderno contaria a sua história emitindo opiniões e comentários sobre coisas, pessoas e fatos, refugiando-se na memória dos demais, em meio ao bombardeio incessante de informação. Logo, se os diaristas de antes se perpetuavam através do papel, e de um sonho latente de reconhecimento, os blogueiros usariam da tecnologia para permanecer além da existência terrestre, ambicionando igualmente reconhecimento, por parte, por exemplo, da imprensa.

Como se vê, as teses tomando por base o passado diário íntimo se encaixam perfeitamente no universo dos avançadíssimos blogs - a não ser por um detalhe único. Como explicar, nessa situação, a migração de estabelecidos jornalistas para a dita blogosfera, sendo que esses já desfrutariam da notoriedade com que todos originalmente sonhavam? Na visão de Denise, que dedica à questão todo um capítulo, esse movimento não passaria de um anseio por mais liberdade, longe das regras rígidas dos veículos da mídia, abrindo espaço para alguma experimentação. E nada mais.

Denise Schittine encerra ‘Blog: Comunicação e escrita íntima na internet’ concluindo que vamos caminhando, como previa Hegel, para o encontro com o ‘outro’. Se, no início, o outro era o ‘estranho’, contra o qual, para afirmar nossa individualidade, nos colocávamos, atualmente ele compartilha os recantos mais escondidos de nossa personalidade. Mesmo aqueles que, como lembra Dostoievski, não desejamos revelar. E se os blogs são a ponta do iceberg nesse processo, o livro de Schittine é a ponta-de-lança para novas descobertas.

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