Funcionalismo Público de Minas Gerais: Quanta Injustiça!

Imagine a mulher grávida. Imagine que ela acabou de ser efetivada no quadro de Funcionários Públicos do Estado de Minas Gerais com um salário de R$500,00 bruto por mês (isto foi em março de 2000). Agora imagine que ela já deu a luz ao seu filho; a criança conta hoje com 9 anos de idade, quase um adolescente. Já se passaram 9 anos, enfatizo bem, 9 anos! O salário dessa mãe é hoje exatamente R$ 526,35. Como comprou uma casinha de um irmão, por ser a preço de banana, fez um empréstimo consignado em folha e há muito tempo que recebe apenas R$ 319,06 por mês. Por causa disto ainda lhe restam três anos de muitas privações, abaixo da pobreza mais miserável que só se tem notícia na África.

É isto que o governador Aécio Neves fez e está fazendo com o "Servidor" público estadual de Minas. É a mais verdadeira exigência compulsória ao trabalho escravo de quem concursou, acreditou, deu tudo de si e agora se vê como "Servo" das mentiras impetradas em nome de uma "Gestão" falsa, sofismista e demagoga. O governador mineiro deve enxergar unicamente o conceito literal da palavra "Servidor Público", porém, pregado naqueles tempos idos e arcaicos de escravidão e escravocratas; assim, para ele, servidor (servo) e escravo é uma coisa só.

O quadro nas fileiras do serviço público estadual das nossas Minas Gerais é grave: são inúmeros os suicídios de "servidores"; a fome reina com todas as suas angústias em lares onde antes tinha-se ao menos o que comer; famílias inteiras separadas pela opressão feita pelas necessidades mais elementares e pungentes da sobrevivência; a criminalidade em Minas simplesmente estourou descontroladamente ao sabor do exemplo de "Os Miseráveis" de Victor Hugo; os "Joãos Vangeans" mineiros agonizam.

É esse moço que quer ser o Presidente da Rebública deste país.

E, quanta ironia! Eu votei nele... só na primeira vez, claro, ainda que atendendo à lembrança consoladora de Tancredo Neves que ainda repercutia nas saudosas "Diretas Já". Quem dera se o neto possuísse apenas um milésimo do exepcional caráter do avô.

Meu querido Estado de Minas Gerais é hoje a degradação de todas aquelas riquezas que só existem nos museus e livros de história. Nem bravura existe mais; o que há é um povo exausto e desanimado de tanto apanhar em vão... de tanto "dar murro em ponta de faca". Nosso comodismo é pelo cansaço de tanta tirania e despotismo. Estamos ao "Deus dará", e, embora eu não seja e nem tenha qualquer admiração "Petista", nosso governador "Pêemedebista" ainda tem a audácia de atacar levianamente o Presidente Lula que, mesmo sem o dedo e a escolaridade, trouxe o Brasil para o G-20. O funcionalismo público estadual mineiro já entrou em decomposição putativa, sem contar a pressão e o terrorismo terrível que sofre diante das tais "Avaliações de Desempenho" de todos os anos (será que ele é cego a ponto de não poder avaliar o seu próprio desempenho, execrável, por sinal?). Será que nas próximas eleições presidencias o Brasil inteiro terá que ser crucificado como Minas, levada a este calvário? Bom, de minha parte, ainda continuo lutando, tal aquele beija-flor contra o incêncio da floresta. Com certeza, aparecerão muitos outros dotados de coragem e disposição para dar algo melhor aos nossos filhos e netos, já que não pudemos dar a nós mesmos. Tudo isto é muito triste, mas, é real, e, só não vê quem não quer. Que Deus tenha piedade de nós!

Editoria:

Comments

Sou apenas uma professora, velha na educação mineira e em vésperas da aposentadoria. Meu Deus, e que aposentadoria me espera! Durante todo esse tempo, eu e todos nós da Educação fomos tratados assim mesmo como essa reportagem denuncia: esquecidos, desrespeitados, explorados e de 2002 para cá, verdadeiros párias sufocados pela podridão do nosso governo estadual. É vergonhoso, mas verdadeiro; triste, mas implacável; escravos anônimos de uma "gestão" de mentiras, mas escravizados. Venha a Minas! Venha ver! Você se importa com o futuro de Minas e do nosso país? Venha, veja! Deolinda F. de Mendonça - Sul de Minas

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