Missão: O Veneno Lento e Letal dos Suruwahá

Interessante o que Antenor Vaz trouxe para o meio acadêmico sobre os Suruwahá.

"Nas 80 páginas do dossiê, encaminhado por este documento, "Missão: o veneno lento e letal dos Suruwahá", veremos graves denúncias contra a atuação da missão "Jovens com uma Missão" - Jocum (Youth with a Mission) junto aos povo indígena Suruwahá, no sudoeste do estado do Amazonas.
Os Suruwahá, são um povo considerado de contato recente, que segundo a legislação brasileira, sua proteção é de competência exclusiva a FUNAI.
As provas contra a atuação ilegal da Jocum, reunidas em compilação e análise de dezenas de documentos e processos existentes na FUNAI, todos referentes ao grupo indígena Suruwahá e a atuação da Jocum nesse caso. As acusações contra a missão são de praticar proselitismo religioso, de evangelizar os índios e de desestruturar a comunidade indígena Suruwahá, que atualmente está ameaçada de ser dizimada por uma série de suicídios em massa. Também constam denúncias de crimes tais como práticas de escravidão indígena, extração ilegal de sangue dos índios, biopirataria de sementes da floresta para o exterior, construção de pistas de pouso clandestinas, uso de rádio amador pirata, venda ilegal de madeira, remoção de indígenas de seu território sem autorização do Estado, adoção de crianças indígenas, realização de expedições veladas atrás do contato de índios isolados e até o uso de imagem indevida de índios em filmes e materiais para arrecadação de recursos próprios aos objetivos da instituição. Ainda, ela é acusada por funcionários da Funai e da Funasa de incitar os índios, que não falam português e desconhecem as regras da sociedade envolvente, a se voltarem contra os representantes do Estado brasileiro, inclusive ameaçando-os de morte.
Em maio de 2003 o então Procurador da República, Sérgio Lauria Ferreira, tendo como base o estudo antropológico do Analista Pericial em Antropologia do MPF - lotado na PRDC/AM, Sr. Marcos Farias de Almeida e a Representação PR/AM nº 1.13.000.000077/2002-46-PRDC/AM nº 440, apresentada pelo CIMI, denunciando a organização missionária JOCUM, determinou, por meio da RECOMENDAÇÃO PRDC-AM Nº 003/2003 que a FUNAI promovesse a IMEDIATA DESINTRUSÃO de não índios da terra Indígena Sorowahá. Até a presente data a JOCUM se nega a sair da terra indígena e impõe condições para tal. Inversão total: a missão estrangeira impondo condições ao estado brasileiro para cumprir a recomendação do Ministério Público Federal no Amazonas.
O que está por trás da questão é a briga pelo estado brasileiro para assumir o controle de uma terra indígena, garantir os direitos indígenas protegidos pela Constituição Federal de um grupo indígena (considerados de contato recente) nas mãos de missionários evangélicos de uma missão norte-americana. A área, no meio da Amazônia (bacias do rio Purus e do rio Juruá, dois grandes afluentes da margem direita do Solimões), é extremamente estratégica. E, por toda a área, grupos de índios da família lingüística arawa estão sendo evangelizado e seguindo as doutrinas dessa missão fundamentalista. Sem entrar na questão da soberania ou teoria conspiratória, esse fato mostra uma briga direta entre a Funai (governo brasileiro), e uma organização fundamentalista americana, que hoje sabe muito mais sobre estes índios do que qualquer instituição de pesquisa no Brasil. Além de questões muito mais graves que podem estar gerando suicídios coletivos em massa, podendo até chegar a um genocídio de um povo.
Pontualmente, as denuncias contra a Jocum são as que seguem:
• Proselitismo religioso: impor o evangelismo a um povo indígena;
• Retirada de crianças da aldeia para adoção e remoção de índios da área indígena, incluindo crianças, sem comunicar a Funai: Cimi e antropólogos argumentam que isso pode ter aumentado os suicídios;
• Escondem e disfarçam a intenção de evangelizar;
• Presença ilegal na área: sem autorização formal à Funai
• Desestruturação da sociedade Suruwahá, por meio da introdução de novos valores que desestrutura a cosmologia tradicional;
• Preconceito contra os índios (chamam eles de "incapazes, medrosos, inflexíveis, selvagens, insensatos, frágeis psicologicamente");
• Filme feito ilegalmente, com recursos dos Estados Unidos e equipe de cinema holywoodiana, que acirra o preconceito contra índios em defesa do trabalho próprio;
• Influencia os índios contra funcionários da Funai (pois só eles dominam a língua), e estes funcionários foram várias vezes ameaçados de morte por isso;
• Escravidão de comunidades indígenas - em investigação pela PF
• Levaram diversas epidemias de gripes - que chegaram a matar índios
• Levaram pajés Maori (10), da Nova Zelândia, para fazer rituais exorcistas e expulsar supostos espíritos que ameaçavam o povo de suicídio, causando conflitos entre estes pajés estrangeiros e os Suruwahá;
• Levaram dois índios para a sede, em Porto Velho, para catequização
• Oferecem ferramentas e remédios em troca para os índios se evangelizarem
• Há suspeitas de que estariam sendo financiadas pelo movimento fundamentalista norte-americano;
• Denuncias de Biopirataria - comércio ilegal de sementes da Amazónia (mogno) para o exterior;
• Tentaram contatar o grupo de índios isolados Hi-Merima, (que a política oficial da Funai determina a proteção e o não o contato), com apoio logístico do SIL - Summer Instituto of Linguistics;
• Funai, Funasa e Ministério Público pediram a expulsão dos missionários da Terra Indígena, mas eles se recusam a sair.
A Polícia Federal, com base no relatório da Agencia Brasileira de Inteligencia - ABIN, abriu inquéritos para averiguar irregularidades na atuação de Organizações Não Governamentais (ONGs). As entidades relacionadas pela ABIN e que são motivo de investigação por parte da Policia Federal são: Missão Novas Tribos (MNTB), Jovens com uma Missão (JOCUM), Cool Earth , Amazon Conservation (ACT), dentre outras."

Vox Populi





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